Overview

A enxaqueca é uma dor de cabeça recorrente, pulsátil e intensa, de aparecimento periódico, que habitualmente afeta um lado da cabeça. A dor começa de repente e pode ser precedida ou acompanhada de sintomas visuais, neurológicos ou gastrointestinais (náuseas, vómitos, intolerância à luz ou ao som, perturbações visuais).

A enxaqueca manifesta-se quando as artérias que irrigam o cérebro se contraem e a seguir dilatam, ativando os recetores da dor. Não se conhece a causa da constrição nem da dilatação dos vasos sanguíneos, mas uma concentração anormalmente baixa de serotonina no sangue, uma substância química que intervém na comunicação dos neurónios (neurotransmissores), pode desencadear as contrações. Pensa-se que haverá alguma suscetibilidade genética. 

Prevalência

A enxaqueca surge habitualmente entre os 15 e os 40 anos, mas pode aparecer na infância ou logo após a menarca (primeira menstruação). A enxaqueca é cerca de 2 a 3 vezes mais prevalente no sexo feminino, sendo a menstruação, gravidez e menopausa fatores de predisposição.

Estima-se que 8 a 15% dos cidadãos dos países ocidentais sofram de enxaqueca. A enxaqueca é mais frequente do que a asma ou a diabetes, por exemplo. (1)

Sinais e sintomas

Os dois tipos de enxaqueca mais prevalentes são a enxaqueca sem aura e enxaqueca com aura. Aura corresponde ao conjunto de sintomas neurológicos que duram cerca de 10 a 30 minutos antes de uma crise. Estes sintomas podem ser um flash de luzes ou perda temporária da visão, dificuldade no discurso, fraqueza num braço ou perna, formigueiro na cara ou mãos e confusão.

Enxaqueca sem Aura

  • Dor pulsátil (como se o coração batesse dentro da cabeça) que agrava com o esforço físico ou com movimentos da cabeça;

  • Dor hemicraniana (só de um lado da cabeça), podendo localizar-se em qualquer parte da cabeça;

  • Náuseas, vómitos (ausentes em cerca de metade das crises);

  • Intolerância à luz (fotofobia), ao ruído (fonofobia) e a alguns cheiros.

Um episódio pode durar de poucas horas até três dias. Entre as crises habitualmente não há queixas.

A periodicidade das crises é muito variável, alguns indivíduos têm 2 crises por semana, enquanto outros apenas algumas ao longo da vida.

Enxaqueca com Aura

É o tipo de enxaqueca menos comum, afetando apenas cerca de 15% de todas as pessoas com este problema. Alguns dos seguintes sintomas antecedem a dor:
  • Perturbações exuberantes e passageiras da visão, perda de visão de um dos lados do campo visual, turvação das imagens, perceção de pontos luminosos, de figuras geométricas ou de "zig-zags" brilhantes;

  • Formigueiro ou dormência de um lado da face ou numa das mãos;

  • Paralisias passageiras dos membros, habitualmente só de um dos lados do corpo;

  • Os restantes sintomas são idênticos aos da enxaqueca sem aura.

 Não existem enxaquecas diárias. No entanto, o abuso medicamentoso pode converter uma enxaqueca numa cefaleia crónica diária. Esta é uma situação que exige o apoio de um especialista.

Tratamento

A enxaqueca não tem cura mas tem tratamento sintomático. Há medicamentos e comportamentos que podem reduzir a frequência, duração ou intensidade das crises. A saber:

  • Evitar mudanças drásticas como privação, excesso ou alteração do horário de sono, stress, retirada da cafeína, refeições inadequadas;

  • Exercício intenso ou viagens de longa distância, especialmente para outros fusos horários;

  • Evitar grandes alterações ambientais como luzes brilhantes ou cintilantes, odores intensos e alterações meteorológicas acentuadas;

  • Algumas mulheres notam um agravamento da enxaqueca com o uso da pílula anticoncecional. Nesse caso a situação deve ser apresentada ao médico;

  • A enxaqueca nada tem a ver com problemas de visão. Tão pouco a hipertensão arterial, sinusite ou problemas na coluna cervical provocam enxaquecas.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Cefaleias, os tratamentos são de dois tipos:

Tratamento sintomático (na crise aguda)

O doente deverá deitar-se num local sossegado e escuro. Poderá ainda aplicar pressão ou frio no local da dor. Os medicamentos recomendados para a crise de enxaqueca são: analgésicos simples, anti-inflamatórios e triptanos (agonistas da serotonina). Os médicos têm critérios para escolher a melhor solução para cada doente.
 

Tratamento profilático

Os pacientes que sofram de enxaqueca devem construir um calendário de crises que permita identificar fatores precipitantes e valorizar o impacto das mesmas na sua qualidade de vida.
O primeiro passo da profilaxia poderá ser evitar, tanto quanto possível, os fatores precipitantes da enxaqueca.
Em algumas pessoas, em alguns períodos da vida, será necessário recorrer a medicamentos de uso diário para diminuir as crises (em frequência, em duração ou em intensidade). Os médicos têm critérios para escolher o medicamento mais ajustado a cada doente.

(1) http://www.cefaleias-spc.com/ (Sociedade Portuguesa de Cefaleias), acedido a 23-07-2013